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O que são pilhas de rejeito e porque todas as mineradoras estão investindo nelas
As pilhas de rejeito e estéril são estruturas fundamentais nas operações do setor de mineração brasileiro, desempenhando papel crucial na gestão dos resíduos minerais gerados durante as atividades de lavra e beneficiamento mineral. O estéril refere-se ao material rochoso sem valor econômico extraído para acessar o minério, enquanto os rejeitos são os resíduos resultantes do processamento do minério. Ambos são armazenados em pilhas projetadas para garantir a estabilidade e minimizar impactos ambientais, como a contaminação do solo e da água.
A crescente adoção de pilhas de rejeito pelas mineradoras no Brasil deve-se a diversos fatores. por exemplo, reduz significativamente o risco de liquefação e rompimento, sendo uma opção mais segura em comparação às barragens tradicionais.
Além das questões de segurança, o reaproveitamento de materiais contidos nas pilhas tem se mostrado economicamente viável. Uma grande mineradora, por exemplo, implementou um programa de mineração circular visando recuperar cerca de 7 milhões de toneladas de minério de ferro a partir de rejeitos e estéril, além de desenvolver coprodutos como areia para construção civil. Essa abordagem não apenas maximiza o aproveitamento dos recursos minerais, mas também contribui para a sustentabilidade ambiental.
Pilhas de rejeito: uma nova era na gestão de resíduos da mineração
O setor de mineração é um dos pilares econômicos do Brasil, e é responsável por bilhões em exportações, geração de empregos e fornecimento de insumos estratégicos para a indústria nacional e global. Mas junto ao valor agregado vêm os desafios ambientais e de segurança, principalmente quando falamos do gerenciamento de resíduos gerados ao longo do processo de beneficiamento mineral.
Historicamente, os rejeitos de mineração, que são a fração não aproveitada após o processamento do minério, eram armazenados em grandes barragens, muitas vezes com alto teor de água, que exigiam estruturas complexas e manutenção contínua. Mas acidentes relacionados aos riscos associados a esse modelo impulsionaram uma reavaliação urgente de práticas e tecnologias.
Com isso, surge com força o conceito das pilhas de rejeito, estruturas alternativas de disposição a seco. Hoje, praticamente todas as mineradoras no Brasil estão reavaliando seus modelos de descarte e investindo fortemente em soluções como o empilhamento a seco de rejeito, tanto em novos projetos quanto na conversão de sistemas antigos.
Diferente das barragens, que reservam o material com alto teor de umidade (lama) além de acumular água de drenagens naturais e precipitações, as pilhas são formadas com rejeitos desaguados, filtrados ou secos, empilhados de forma compactada e controlada em áreas específicas, com sistemas de drenagem interna e superficial, monitoramento e controle ambiental.
Essas estruturas se assemelham, conceitualmente, às tradicionais pilhas de estéril, mas com cuidados extras devido à natureza química e geotécnica dos rejeitos.
Os métodos de empilhamento variam conforme as condições de umidade (saturação), a granulometria e o volume gerado de rejeito, e, também, as características topográficas do local para o empilhamento, sendo os mais comuns:
- Empilhamento a seco
- Empilhamento centrifugado
- Disposição em cavas ou áreas de baixa declividade
Por que as mineradoras estão migrando para pilhas de rejeito
Confira algumas das vantagens das pilhas de rejeito:
Segurança geotécnica ampliada
A principal vantagem das pilhas de rejeito é a eliminação do risco de liquefação, um dos principais fatores que levam ao colapso de barragens convencionais. Ao operar com material seco ou com umidade muito reduzida, as pilhas oferecem estabilidade estrutural, mesmo em situações de chuvas intensas ou eventos sísmicos.
Conformidade com a nova legislação
Em 2019, Brasil instituiu uma série de normas legais rigorosas para restringir e eliminar progressivamente o uso de barragens a montante, o modelo mais comum e mais vulnerável no país. As mudanças legais vieram tanto ao nível federal quanto estadual, com destaque para:
- Lei Federal nº 14.066/2020 Estabelece diretrizes para segurança de barragens e obriga o descomissionamento de estruturas a montante até 2027.
- Resolução ANM nº 13/2019 Impõe regras para estabilidade e descaracterização de barragens de rejeito.
- Normas da FEAM (MG) Minas Gerais, principal estado minerador, estabeleceu prazos ainda mais rígidos para a transição de barragens para soluções seguras como pilhas.
Assim, a adoção de pilhas de rejeito se tornou não somente desejável, mas necessária para manter a conformidade regulatória e as licenças operacionais.
Sustentabilidade e imagem institucional
A sociedade exige, cada vez mais, uma mineração mais segura, sustentável e transparente. Investir em estruturas de rejeito mais modernas, como pilhas a seco, é também uma forma de fortalecer a licença social para operar. A substituição das barragens por empilhamento seco é percebida como um compromisso com a vida, com o meio ambiente e com as comunidades do entorno.
Sustentabilidade: a vantagem das pilhas na preservação ambiental
O modelo de pilhas de rejeito é altamente vantajoso do ponto de vista da sustentabilidade. Entre os principais benefícios ambientais estão:
- Menor uso de água o processo de filtragem permite a recirculação de até 90% da água, que retorna ao circuito de beneficiamento
- Menor emissão de GEE com menos necessidade de bombeamento contínuo e menor impacto em áreas de preservação, a pegada de carbono das pilhas é inferior à de barragens
- Reabilitação de áreas pilhas de rejeito podem ser cobertas, revegetadas e monitoradas, acelerando a reabilitação ambiental e facilitando o fechamento de mina
Desafios e perspectivas para o futuro
Apesar das vantagens, a transição para pilhas de rejeito ainda encontra desafios técnicos e logísticos, como:
- Espaço físico disponível para empilhamento
- Custo elevado de filtros e manutenção
- Adaptação de plantas industriais já existentes
- Capacitação de equipes operacionais
- Condições climáticas
No entanto, a evolução da tecnologia e o aumento da escala de adoção estão reduzindo gradualmente os custos unitários. Além disso, a tendência de valorização ESG no mercado financeiro pressiona por estruturas mais seguras e sustentáveis.
A expectativa é que, até 2030, a maior parte das minas brasileiras opere com disposição a seco de rejeitos, seja por empilhamento em pilhas, seja por preenchimento de cavas ou co-disposição com estéril. As pilhas de rejeito, nesse cenário, representam o padrão ideal da gestão de resíduos na mineração 4.0.
A expertise da Tractebel: engenharia consultiva para pilhas de rejeito
Com especialistas em projetos de engenharia e consultoria para mineração, a Tractebel é referência em soluções integradas para gestão de rejeitos, geotecnia e sustentabilidade, com equipes multidisciplinares que integram engenharia, meio ambiente, segurança operacional e gestão de riscos.
Nossas equipes já participaram de dezenas de projetos envolvendo transição de barragens para pilhas de rejeito em grandes mineradoras brasileiras, especialmente nas regiões de Minas Gerais, Pará e Goiás. Entre os destaques estão:
- Desenvolvimento de soluções para empilhamento filtrado de rejeitos de ferro e níquel
- Apoio técnico à descaracterização de barragens a montante
- Projetos de pilhas integradas com recuperação ambiental de áreas degradadas
- Estudo de viabilidade de reaproveitamento de rejeitos como insumo para materiais de construção
Esses projetos combinam segurança operacional, economia circular e atendimento rigoroso às exigências legais.
A mineração 4.0 é seca, segura e sustentável
As pilhas de rejeito não são apenas uma tendência. Na verdade, são uma necessidade técnica, legal e moral para a mineração brasileira. Combinando segurança geotécnica, menor impacto ambiental e conformidade regulatória, elas oferecem uma alternativa eficaz às antigas barragens, marcando uma mudança de paradigma na gestão de resíduos.
A Tractebel está na linha de frente dessa transformação, apoiando mineradoras de todos os portes com soluções de engenharia que aliam inovação, viabilidade e sustentabilidade. Ao investir em pilhas de rejeito, as empresas não somente protegem suas operações e comunidades, mas também constroem um legado de responsabilidade e resiliência para o futuro.
Entre em contato com nossos especialistas e descubra como levar mais segurança, eficiência e sustentabilidade para a sua gestão de rejeitos.